quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

A FÁBRICA DA LARANJA



- É tão bonito de se ver, tanto quanto um vaso de flores.

- O quê, mamãe?

- Uma cesta cheia de frutas.

- Frutas, mamãe?

- É isso mesmo.

- Vou te contar uma estória sobre frutas.

- Uma vez havia uma fruteira cheia de frutas na sala de minha avó. Eram tão lindas que eu imaginei que elas conversavam. Encostei minha cabeça na mesa para ouvir a conversa. Sabe o que estava acontecendo? Elas estavam brigando...

- Brigando mamãe?

- Sim, meu filho, brigando.

- Dizia a banana para o mamão:

- Você está vermelho demais, é de vergonha eu creio.

- Nada disso - respondeu ele - pensa que não vi! você está cheia de pêlos e muito branquinha, por isso tem inveja de mim porque eu sou corado.

- Você não sabe nada... – respondeu a banana - não tenho pêlos seu bobinho, são as proteções para minha polpa.

Enquanto isso a pêra empurrava o abacaxi reclamando:

- Chega pra lá, você está arranhando a minha pele macia e delicada.

- Cala a boca, sua chata. – respondeu o abacaxi – você é que quer ficar grudadinha em mim só para sentir o meu perfume gostoso. Vamos, fala a verdade!

A pêra se afastou amuada. A ameixa reclamou da grosseria do abacaxi. A maçã foi logo se afastando para não entrar na confusão. O melão discutia com o cacho de uva que dizia:

- Vou falar com a dona da fruteira. Ela precisa separar as frutas. Estas frutas espinhosas – olhou para o abacaxi – têm de ficar com as de cascas duras amarelas – e olhou para o melão. Senão as frutas delicadas como o mamão, a dona pêra, a dona maçã serão esmagadas.

E assim continuaram a brigar, sem perceber a tristeza da laranja encostadinha neles. Pensava a laranja:

- Ninguém gosta de mim. Sempre escolhem a banana, o mamão e a dona maça. Não devo ter graça nenhuma.

Nesse momento entraram na sala de jantar, minha vovó, meu irmãozinho menor e o teu tio Pedro.

Sentaram-se ao meu lado sem se importar comigo ali deitada fingindo que dormia.

- Veja Pedro, - disse pegando a laranja na mão, - Esta é uma laranja. Quando você a pega na mão, assim, parece que não tem nada, não é mesmo?

- Suco vovó.

- Não meu querido, não é só isso. Veja o que a vovó vai fazer com uma laranja

Pegou a laranja e cuidadosamente tirou a casca. Depois tirou gomo por gomo e colocou no pratinho.

- Veja Pedro vou mostrar a você a fábrica de garrafinhas que a laranja tem.

- Fábrica de garrafinhas?

- Isso mesmo, veja.

Com cuidado tirou a pele do gomo e foi tirando as garrafinhas cheias de suco.

- Que coisa bonita vovó?

- E agora vamos à casca. Vamos parti-la em tirinhas deixa-las de molho e mais tarde farei tirinhas de casca de laranja açucaradas.

- Puxa! quanta coisa não é vovó?

- Ali, fingindo que dormia, meu filho, aprendi muito. Às vezes você está no meio de tantos e se sente nada. Mas sempre há alguém que vem e mostra a você o seu valor chegando ao seu coração.

- Como a laranja mamãe?

- Isso mesmo, filho.

- Sabe meu querido, devemos comer de todas as frutas. É claro que há alguma que o seu corpinho não aceita.

- É, eu sei, por causa da alergia não é mesmo?

- Isso meu querido.

- Sabe mamãe, lá na escola vamos fazer uma salada de frutas. Vou aproveitar para contar a estória para eles.

Na fruteira a laranja estava feliz.

- Puxa não sabia que eu tinha uma fabriquinha dentro de mim...

E agora amiguinhos, vamos comer frutas?

Marlene B. Cerviglieri

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Fantasma do Lustre

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Estávamos todos reunidos na pequena biblioteca de nossa casa. Como era de costume sempre após o jantar fazíamos nossos deveres de escola. Eu, estava às voltas com meus teoremas, minha irmã com sua redação e meu irmão tentando recortar alguma figura para o cartaz de ciências. Ali, entretidos, ouvimos um estalo vindo do alto. Um olhou para o outro e não dissemos nada, apenas balançamos os ombros como que dizendo: que foi? Continuamos concentrados. De repente a luz piscou duas vezes, mas, imediatamente, voltou e ficou normal. Ficamos quietos novamente.

De repente ouvimos um forte assobio... Aí então não deu para ficar quieto, saímos correndo da sala. Fomos direto à sala de estar onde papai e mamãe estavam dando uma olhadinha no jornal.

- Que foi? perguntaram os dois já de pé tal a pressa com que adentramos a sala.

- Tem um fantasma no lustre dissemos os três quase que gaguejando.

- O quê? disse meu pai.

- É um fantasma no lustre!

Acompanhamos meu pai que levou consigo uma escada. Até ai então não entendíamos porque uma escada. Puxa, ele não tinha medo mesmo.

Subiu nela, vimos que apertava alguma coisa e depois delicadamente pegou algo. Desceu.

- Prontos para ver o fantasma?

Grudamo-nos uns nos outros...

- Primeiro: a lâmpada estava meio solta. Apertei-a e agora não vai mais piscar. E aqui está o fantasma que assobiou para vocês.

Abriu a mão e lá estava um inseto pequenino.

- Papai, o que é isso?

- Uma cigarra meus filhos, e elas cantam, assoviam!

Ficamos de boca aberta olhando.

- Então não tem fantasma?

- Claro que não.

Voltamos a outra sala e lá meus pais riam do nosso susto.

Puxa e eu que pensava que tinha um fantasma no lustre!

A janela bateu com o vento e, novamente, saímos correndo.

- Foi a janela - dissemos juntamente com as risadas de meus pais.

Sempre que entro numa biblioteca lembro deste fato, olho para os lustres e procuro o fantasma, ou seja, as cigarras.

Marlene B. Cerviglieri

domingo, 10 de maio de 2009

A SAPECA

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Menina sapeca,
cadê seu sapato?

Escondeu em algum canto
ou debaixo do banco?
Colocou dentro a meia
ou escondeu na areia?

Menina sapeca,
lave o seu pé e calce o sapato.
Você não é sapo
que anda descalço e,
não lava o pé,
porque adora chulé.

(Lenise Resende)


sábado, 9 de maio de 2009

XAROPE

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Bruxinha quando tem tosse
não quer saber de xarope.
Toma uma xícara de chá
de rabo de lagartixa,
com maxixe ralado na lixa.

De noite ela tosse, tosse
e a bruxa chefe se queixa:
- Não seja extravagante,
toma logo expectorante
ou lhe dou suco de ameixa
misturado com laxante!

Enrolada em seu xale xadrez,
a chefe conta um, dois, três
e a bruxinha engole o xarope
todinho de uma só vez.

(Lenise Resende)



sexta-feira, 8 de maio de 2009

Anjos Caninos

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Existem pessoas que não gostam de cães.
Estas, com certeza, nunca tiveram em sua vida um amigo de quatro patas ou, se tiveram, nunca olharam dentro daqueles olhos para perceber quem estava ali.
Um cão é um anjo que vem ao mundo ensinar amor. quem mais pode dar amor incondicional,
Amizade sem pedir nada em troca,
Afeição sem esperar retorno,
Proteção sem ganhar nada,
Fidelidade vinte e quatro horas por dia?
Ah, não me venham com essa de que os pais fazem isso, porque os pais são humanos e quando os agredimos eles ficam irritados e se afastam...
Um cão não se afasta mesmo quando você o agride, ele retorna cabisbaixo pedindo desculpas por algo que talvez não fez lambendo suas mãos a suplicar perdão.
Alguns anjos não possuem asas, possuem quatro patas, um corpo peludo, nariz de bolinha, orelhas de atenção, olhar de aflição e carência.
Apesar dessa aparência, são tão anjos quanto os outros (aqueles com asas) e se dedicam aos seus humanos tanto quanto qualquer anjo costuma dedicar-se.
Em troca disso, o que lhes damos? abandono, crueldade, humilhação, dor, maus tratos...
Às vezes um humano veste a capa de anjo e sai pelas ruas a catar alguns anjos abandonados à própria sorte, e lhes cura as feridas, alimenta, abriga só para ter a sensação de haver ajudado um anjo...
Deus quando nos fez humanos sabia que precisaríamos de guardiões materiais que nos tirasse do corpo as aflições dos sentidos e nos permitisse sobreviver a cada dia com quase nada.
Além do olhar e da lambida de um cão... Que bom seria se todos os humanos pudessem ver a humanidade perfeita de um cão!

Autor Desconhecido

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Festa no Céu


(Christiane Angelotti)

Entre os bichos da floresta espalhou-se a notícia de que haveria uma festa no Céu.
Porém, só foram convidados os animais que voam.
As aves ficaram animadíssimas com a notícia, começaram a falar da festa por todos os cantos da floresta. Aproveitavam para provocar inveja nos outros animais que não podiam voar.
Um sapo muito malandro que vivia no brejo, lá no meio da floresta ficou com muita vontade de participar do evento. Resolveu que iria de qualquer jeito, e saiu espalhando para todos que também fora convidado.
Os animais que ouviam o sapo contar vantagem que também havia sido convidado para a festa no céu, riam dele.
Imaginem o sapo, pesadão, não agüentava nem correr, que diria voar até a tal festa!
Durante muitos dias o pobre sapinho virou motivo de gozação de toda a floresta.
_ Tira essa idéia da cabeça, amigo sapo. – Dizia o esquilo, descendo da árvore.- Bichos como nós, que não voam, não têm chances de aparecerem na Festa no Céu.
_ Eu vou sim. Dizia o sapo muito esperançoso. - Ainda não sei como, mas irei. Não é justo fazerem uma festa dessas e excluírem a maioria dos amimais.
Depois de muito pensar o sapo formulou um plano.
Horas antes da festa procurou o urubu.
urubu Conversaram muito e se divertiram com as piadas que o sapo contava.
Já quase de noite o sapo se despediu do amigo:
_ Bom, meu caro urubu, vou indo para o meu descanso, afinal, mais tarde preciso estar bem disposto e animado para curtir a festa.
_Você vai mesmo, amigo sapo? - Perguntou o urubu, meio desconfiado.
_ Claro, não perderia essa festa por nada. - Disse o sapo já em retirada.- Até amanhã!
Porém, em vez de sair, o sapo deu uma volta, pulou a janela da casa do urubu e vendo a viola dele em cima da cama, resolveu esconder-se dentro dela.
Chegada a hora da festa, o urubu pegou a sua viola, amarrou-a em seu pescoço e vôou em direção ao céu.
Ao chegar ao céu, o urubu deixou sua viola num canto e foi procurar as outras aves. O sapo aproveitou para espiar e, vendo que estava sozinho, deu um pulo e saltou da viola todo contente.

As aves ficaram muito surpresas ao verem o sapo dançando e pulando no céu.

Todos queriam saber como ele havia chegado lá, mas o sapo esquivando-se mudava de conversa e ia se divertir.
Estava quase amanhecendo, quando o sapo resolveu que era hora de se preparar para a “carona” com o urubu. Saiu sem que ninguém percebesse, e entrou na viola do urubu que estava encostada num cantinho do salão.
O sol já estava surgindo, quando a festa acabou e os convidados foram voando, cada um no seu destino.
O urubu pegou a sua viola e vôou em direção à floresta.
Voava tranqüilo quando no meio do caminho sentiu algo se mexer dentro da viola. Espiou dentro do instrumento e avistou o sapo dormindo , todo encolhido, parecia uma bola.
- Ah! Que sapo folgado! É assim que você foi à festa no Céu? Sem pedir, sem avisar e ainda me fez de bobo!
E lá do alto ele virou sua viola até que o sapo despencou direto para o chão.
A queda foi impressionante. O sapo caiu em cima das pedras do leito de um rio, e mais impressionante ainda foi que ele não morreu.
Nossa Senhora viu o que aconteceu e salvou o bichinho.
Mas nas suas costas ficou a marca da queda; uma porção de remendos. É por isso que os sapos possuem uns desenhos estranhos nas costas, é uma homenagem de Deus a este sapinho atrevido, mas de bom coração.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Os Espelhos das Fadas Celestes

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No palácio celeste, moram as fadas chinesas. Elas passam os dias tecendo nuvens. São elas que emprestam às nuvens formas de animais, de brinquedos e até de algodão-doce.

Mas não é divertido para elas. Todos os dias são iguais, lá no céu. Um dia duas fadinhas resolveram:
- Vamos conhecer a Terra? Partiremos em segredo. O Imperador, nosso pai, nunca permitiria essa viagem.
Desceram à Terra e escolheram duas velhinhas para proteger. Com o tempo, seus corpos perderam a transparência e as fadas chinesas passaram a ser confundidas com seres humanos. Conheceram crianças, trabalharam como atrizes e pintoras. Nem se lembravam da antiga vida no céu.
Só depois que as fadas já estavam na Terra havia cem anos foi que o Imperador descobriu a ausência delas. Isso porque no céu o tempo demora a passar. As outras fadas disseram ao pai celeste que suas irmãs tinham desaparecido havia apenas sete dias. Mesmo assim... o Imperador ficou furioso. Quando ele se aborrecia, os céus se turvavam. Cada grito que soltava se transformava imediatamente num raio luminoso. Cada gota de suor que brotava de sua testa se tornava uma horripilante tempestade.
Na Terra... as fadinhas, ao verem as chuvas torrenciais e ouvirem os trovões, lembraram-se da voz do pai.
- É preciso voltar - concluiu a mais velha - se não regressarmos, papai destruirá a Terra; nossos amigos sofrerão, traremos dor e danos àqueles que nos acolheram.
Tristes, as fadinhas se despediram de todas as crianças das quais tinham ficado amigas e subiram para o caminho do céu.
Sabiam que seria difícil retornar à Terra, pois de agora em diante o Imperador as vigiaria eternamente.
- Eu gostaria tanto de voltar a ver a Terra - disse a mais jovem.
- E eu, de oferecer um presente para as crianças... - acrescentou a mais velha.
Foi então que tiveram uma idéia maravilhosa: tiraram os espelhos mágicos das longas mangas de suas vestes, que era onde costumavam guardá-los e os lançaram na Terra. Os espelhos desceram tão rápido que os olhos humanos não foram capazes de vê-los rodopiando no ar. Quando caíram, se transformaram em dois lagos redondos, cintilantes e cristalinos. Suas águas eram doces e límpidas, refletindo perfeitamente as florestas, as colinas e o rosto das crianças.
E hoje sempre que uma criança nada nas águas desses lagos, sabe que recebe a proteção das fadas celestes, que continuam a tecer as brancas nuvens dos céus.


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terça-feira, 5 de maio de 2009

O Poder da Doçura

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O viajante caminhava pela estrada, quando observou o pequeno rio que começava tímido por entre as pedras.
Foi seguindo-o por muito tempo. Aos poucos ele foi tomando volume e se tornando um rio maior.
O viajante continuou a segui-lo. Bem mais adiante o que era um pequeno rio se dividiu em dezenas de cachoeiras, num espetáculo de águas cantantes.
A música das águas atraiu mais o viajante que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras. Descobriu, finalmente, uma gruta. A natureza criara com paciência caprichosa, formas na gruta. Ele a foi adentrando, admirando sempre mais as pedras gastas pelo tempo.
De repente, descobriu uma placa. Alguém estivera ali antes dele. Com a lanterna, iluminou os versos que nela estavam escritos. Eram versos do grande escritor Tagore, prêmio Nobel de literatura de 1913:
"Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."

Reflexão:
Assim também acontece na vida. Existem pessoas que explodem por coisa nenhuma e que desejam tudo arrumar aos gritos e pancadas.
E existem as pessoas suaves, que sabem dosar a energia e tudo conseguem. São as criaturas que não falam muito, mas agem bastante. Enquanto muitos ainda se encontram à mesa das discussões para a tomada de decisões, elas já se encontram a postos, agindo. E conseguem modificar muitas coisas. Um sábio exemplo foi de Madre Teresa de Calcutá.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Espada Mágica

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Existe uma história muito, muito antiga, do tempo dos cavaleiros em brilhantes armaduras, sobre um jovem comum que estava com muito medo de testar sua habilidade com as armas, no torneio local.
Certo dia, seus amigos quiseram pregar-lhe uma peça e lhe deram de presente uma espada, dizendo que tinha um poder mágico muito antigo. O homem que a empunhasse jamais seria derrotado em combate.
Para surpresa deles, o jovem correu para o torneio e pôs em uso o presente, ganhando todos os combates. Ninguém jamais vira tanta velocidade e ousadia na espada.
A cada torneio, a notícia de sua maestria se espalhava, e não tardou a ser ovacionado como o primeiro cavaleiro do reino.
Por fim, achando que não faria mal nenhum, um dos seus amigos revelou a brincadeira, confessando que o instrumento não tinha nada de mágico, era só uma espada comum.
Imediatamente o jovem cavaleiro foi dominado pelo terror.
De pé na extremidade da área de combate, as pernas tremeram, a respiração ficou presa na garganta e os dedos perderam a força. Incapaz de continuar acreditando na espada, ele já não acreditava mais em si mesmo.
E nunca mais competiu.

Reflexão:
Será que precisamos de "mágica" em nossa vida ou temos consciência de nosso valor e de nosso potencial?

domingo, 3 de maio de 2009

A Pequenina Luz Azul





Certa manhã, o sultão El-Khamir, disse ao prefeito:
- Esta noite avistei ao longe uma pequenina luz azul e desejo saber quem passou a noite a velar. Ordeno-lhe apurar a razão desta vigília.
- Obedeço à Vossa Majestade! Porém, é inútil esse inquérito, pois aquela luz provinha do oratório da minha casa! Eu e minha família passamos a noite pedindo a Deus pela saúde de Vossa Majestade!
- Obrigado meu bom amigo - sinceramente comovido acrescentou - saberei corresponder aos cuidados que lhe mereço.
O rei, então, chamou o grão-vizir Moallin.
- Resolvi recompensar com mil dinares de ouro o prefeito.
- Por Alá! É muito dinheiro! Que teria feito ele para merecer?
- Praticou uma ação nobre e sublime - e narrou o caso da luz.
- Permita-me ponderar, estais sendo iludido, posso provar, ele não tem família e só sabe orar nas Mesquitas, quando obrigado.
- Mas... E a luz azul, de onde vinha?
- Vejo-me obrigado a confessar, passei a noite cogitando a cerca dos graves problemas e das questões que Vossa Majestade deve resolver hoje! Juro pelo Alcorão que essa é a verdade!
- Grande e esforçado amigo! - jubiloso disse:
- Tereis uma recompensa digna de vossa dedicação!
O rei chamou o general Muhiddin e contou que estava resolvido a conceder o título de xeque de Lohéia ao grão-vizir Moallin. E o bom monarca, contou ao general a história da luz azul.
- Vós acreditastes nisso? Peço provar que ele mentiu como um infiel!
Mentira o prefeito, o grão-vizir! Como poderia, o rei, apurar a verdade? Modesto, o general confessou:
- Queria ocultar a verdade mas me vejo obrigado a revelar que aquela pequenina luz azul provinha de minha tenda - e o general não hesitou - com receio que os revoltosos atacassem a noite, acampei nas cercanias da cidade, para maior garantia da vida do rei.
Que heroísmo! O sultão não sabia como agradecer. E depois que o general saiu cogitou: "vou lhe conceder o título de príncipe e uma pensão anual de vinte mil dinares! Não... Merece muito mais... Salvou-me a vida.. A coroa... Como não chegasse a uma conclusão satisfatória consultou Ali-Effendi, seu velho mestre e conselheiro.
O sábio ponderou:
- Não deves acreditar no prefeito, nem no grão-vizir, nem no general. Creio que a tal luz provinha do farol de El-Basin.
O rei surpreso:
- Então era a luz do farol!
Naquela mesma noite, depois da última prece, o rei chegou à varanda para olhar o panorama da cidade, que dormia. Surpresa estranha: como todos já sabiam sobre as recompensas, a cidade estava extraordinariamente iluminada. Nunca se vira tanta luz azul! E o crédulo rei compreendeu então, que para cada súdito honesto e dedicado havia um milhão de mentirosos e bajuladores.

sábado, 2 de maio de 2009

A Lenda do Cavalo Encantado



Em Alegrete, no Rio Grande do Sul, existe uma lagoa encantada, de águas paradas, nas margens da qual ninguém acampa nem passa perto. Dizem que dela salta uma bola de fogo na garupa dos cavaleiros que se atrevem a passar perto.
Dizem, também, que esta lagoa tem correntes presas ao fundo, que nem com muitas juntas de bois se consegue arrancar.
Nesta região, pertencente aos índios charruas, antigamente vivia jovem e bela índia por quem os mais bravos guerreiros apaixonavam-se. Um jovem da tribo, passando perto da lagoa, viu um magnífico cavalo parado, como à espera de ser laçado.
Pensou em levá-lo para a jovem e, assim, conquistar o seu amor. Aproximou-se devagar conversando com o animal, que continuou parado, tanto que o jovem guardou laço e boleadeira e procurou encilhar o animal, tirando os arreios do cavalo que montava.
Quando estava pronto, alçou a perna e montou de um salto só. O cavalo, ao sentir no lombo o peso do cavaleiro, disparou em direção à lagoa, levando seu cavaleiro para o fundo, desaparecendo para sempre.
A índia, ao saber do ocorrido, veio para a beira da lagoa chorar pelo jovem desaparecido.
Dizem que chorou tanto que suas lágrimas deixaram a lagoa salgada. É por isso que até hoje suas águas são salobras.
Esta lenda é da região de Lagoa Parobé, no Rio Grande do Sul.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Lenda do Sol


Existia apenas escuridão na Terra e só as estrêlas pequenas é que brilhavam!
Mas havia tambem uma indiazinha que se chamava Lilandra e gostava de dançar em homenagem àquela estrelinha tão fraquinha e rosada que aparecia no céu.
Muitos índios não entendiam porque ela fazia aquilo. Eles achavam que ela estava provocando a ira dos deuses que davam comida e abrigo para a aldeia.
Uma reunião foi feita, inclusive com seus pais, e decidiram que se ela dançasse de novo seria severamente punida, pois ela estava colocando em risco toda a aldeia.
De nada adiantou alertá-la, pois ela continuava dançando e ainda dizia:
- Sabe...? Um dia aquela estrelinha será muito forte e vai iluminar todo mundo!
Isso irritou muito o chefe da tribo que decidiu puní-la afastando-a da aldeia.
Ela foi andando, e chorava muito.
No meio da floresta ela parou, perto de um riacho. Seus olhos ainda lacrimejados. Olhou para a água e viu o reflexo da estrelinha.
Com uma tristeza enorme, ela pulou de encontro ao reflexo e nunca mais submergiu daquele riacho.
A noite começou a virar dia.
Os índios, assustados, cantavam e dançavam para seus deuses, procurando a salvação.
Aos poucos, caíam... Pois estavam morrendo de calor e de sede.
Aquela estrelinha agora tinha um brilho täo forte que os índios que olharam para ela ficavam cegos.
Essa tribo desapareceu completamente...
Lilandra ainda está com o Sol! É só fechar os olhos quando o Sol estiver bem forte e sentirá alguém passando por volta dele... ela estará lá sempre, para proteger aquela estrelinha que nos dá luz e calor!

Adriano Siqueira