quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Rouxinol

Há muito tempo atrás, vivia no Japão um imperador surdo. Como não podia escutar o belo canto dos pássaros, mandava matar todos os que não possuíssem uma bela plumagem.

Um dia Ayumi, a filha do imperador, ouviu o canto de um rouxinol pousado num dos galhos de seu jardim e sentiu-se obrigada a dizer:

- Meu pobre amigo, não deve ficar aqui ou será morto.- De qualquer forma eu morrerei durante uma destas frias noites - respondeu o pássaro.

Com pena, Ayumi levou-o para seus aposentos e durante muito tempo desfrutou seu canto e sua companhia.

Mas uma manhã, inesperadamente, o imperador entrou no quarto de sua filha e descobriu o rouxinol.

- Fuja para não ser morto! - gritou ela.

O passarinho obedeceu e Ayumi começou a enfraquecer de saudade e tristeza, até ficar gravemente doente.

O imperador chamou os melhores médicos do Japão e o mais idoso disse:

- Não podemos fazer nada por sua filha, mas curaremos sua surdez se aplicarmos em seus ouvidos o coração quente de um rouxinol.

- Então procurem um rouxinol! - ordenou o monarca.

Trouxeram-lhe justamente o passarinho amigo de Ayumi, que disse ao soberano:

- Pode usar-me, senhor. Sei que sua filha ficará feliz e curada quando Sua Majestade conseguir escutar.

Diante de tanta bondade, os olhos do imperador encheram-se de lágrimas. Em seguida, ele anunciou:

- Prefiro que minha surdez seja eterna a tirar sua vida.

O rouxinol continuou a alegrar os dias de Ayumi e o imperador compreendeu que a abnegação é a mais bela das virtudes.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O Leão e o Cordeiro









O sono demorava a chegar aos olhos da criança, que disse à velhinha sentada ao pé de sua cama:

- Conte-me uma história, vovozinha.












- Era uma vez - começou a velhinha - um leão enjaulado a quem deram um cordeirinho para comer.

- Ele era branquinho? - perguntou a bondosa menina.

- Sim, bem branquinho e tão inocente que nem teve medo do leão, e se aproximou ainda mais dele, como se ele fosse sua mãe, olhando-o com um olhar cheio de devoção e espanto.

O leão desarmado diante de tanta confiança inocente, não teve coragem de matá-lo e preferiu passar fome.

É porque, por mais forte e poderoso que seja o adversário, quando é nobre, fica desarmado diante da inocência e humildade de sua vítima.


A vovozinha não precisou dizer mais nada. A menina já havia adormecido.

Como é bom ter uma vovozinha!

terça-feira, 9 de junho de 2009

A Rosa e o Beija Flor

A lagartinha Tixa corria de um lado para o outro,

nervosa, suada e assustada.

Quando viu Clarinha no jardim, gritou:

- Claaaaaaaaaaaaaaa ! ! !

- O que foi, Tixa? - perguntou Clarinha.

- A rosa está morrendo de tristeza - falou Tixa.- Então vamos falar com ela - respondeu Clarinha.

Rosa, a flor, abraçou as duas e assim falou:

"Clarinha, por que ninguém liga pra mim?

O elafante Trombão é um desajeitadão!

Só com um pisão me deixa amassada no chão.

A zebra Listrinha quer se enfeitar me colocando na sua gravatinha.

Meus espinhos são tantos, mas tantos, que as crianças têm medo de mim.

Vale a pena viver assim?"

Quando Clarinha ia responder, chegou um Beija-Flor muito elegante, bem diferente do elefante.

usava camisa de listrinha, mas não era a zebrinha.

Rodeou todas as flores de todas as cores.

Escolheu a Rosa, tão cor-de-rosa, a mais linda flor de todo o jardim.

O Beija-Flor beijou Rosa, a flor, que por ele ficou toda dengosa, morrendo de amor.